Ugh! - Blog do Manoel Almeida

Cinema - Quadrinhos - Literatura

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Terra Blog

Arquivo de: Março 2008

26.03.08

Mistérios

Tudo bem, cara-pálida?

Acabo de sobreviver a uma verdadeira overdose de Lost.

Sábado resolvi assistir, um pouco atrasado, à Terceira Temporada com minha esposa e quando a sessão terminou (mais de 20 episódios) é que percebi que já tinha amanhecido. Não assisti à Segunda Temporada, mas pelo jeito não perdi nada. Afinal, somente agora algumas respostas começaram a surgir, como a causa da queda do avião e quem são os “Outros”...). Resta saber, por exemplo, a origem (extraterrestre?) da fumaça negra e como um acidente aéreo daquelas proporções pôde deixar sobreviventes, o que só deve acontecer na última temporada..

Outro mistério a ser esclarecido é como uma cena da Primeira Temporada mudou quando reprisada na Terceira: a mensagem da francesa dizendo que “Ele matou todo mundo!”, referindo-se a Ben Linus. Então, é impressão minha ou antes a gravação dizia “Aquilo matou todo mundo!”, sugerindo ter sido a carnificina obra de uma criatura inumana?

Parafraseando o filósofo, Deus não pode mudar a História, mas os roteiristas podem.

.

25.03.08

I'm back!

Olá, cara-pálida!

Agora que até mesmo o professor Fred tem seu próprio bloga, eu me dei conta de que estava passando da hora de também aderir à blogosfera --doa a quem doer. Portanto, seja bem-vindo a este humilde reduto cyberespacial e sinta-se à vontade para postar suas críticas e sugestões!

Bom, para abrir com chave de ouro (sic), segue em primeiríssima mão crônica inédita do bizarro busólogo patense (não faltou nem a clássica bicicleta).

SPOILER: o motorista deixou que eu pegasse minha bagagem de volta...

 

 

 

PARE O ÔNIBUS!

       Lívio Soares de Medeiros



Uma chuva inclemente e poderosa desabava sobre Patos de Minas. Ventava muito. O barulho das águas sobre a estrutura de metal da rodoviária parecia aumentar a intensidade do que já era portentoso.

O ônibus partiria em minutos. Como sempre fui afoito, estava adiantado quarenta e cinco minutos para o embarque, mesmo com a passagem comprada há dias. Assim que cheguei à rodoviária, a chuva começou.

Seria minha primeira viagem para São Paulo. O ônibus estaciona na plataforma. Sempre inquieto, vou logo me aproximando da porta do veículo. Aguardo alguns minutos; ocupo a poltrona de número três. Foi dada a partida. Após manobras, o veículo parte.

No exato momento em que o motorista deixa as dependências da rodoviária, mal pegando a Avenida Piauí, um homem vindo lá da parte de trás do ônibus começou a gritar, suplicando ao condutor que parasse. Houve medo, risadinhas, susto. Não fazia sentido, debaixo de um pé-d’água daqueles, alguém pedir para que o ônibus parasse, ainda mais que havia acabado de embarcar. Indo rápido pelo corredor e gritando sempre, o homem, de uns trinta anos, chegou a causar falta de ar numa senhora que estava numa poltrona perto da minha.

Burburinhos, cochichos... Quando chegou até a divisória entre o motorista com seu auxiliar e os passageiros, o homem tentou logo abri-la. Talvez por estar afobado demais, não conseguiu. Com as mãos, ao mesmo tempo em que insistia no apelo para que o ônibus parasse, batia forte no vidro; as cortinas da divisória não deixavam que se visse o outro lado. Assustado, o auxiliar de viagem abriu a portinhola.

– Pare o ônibus.
– Não posso, meu senhor. Além do mais, cai um dilúvio lá fora.
– Não importa. Preciso descer.

O passageiro estava impaciente, ofegante, gesticulava muito, falava alto.

– Meu senhor, não tenho autorização, não posso parar aqui. O senhor tem bagagem?
– Tenho.
– Não tem como pegar sua bagagem debaixo dessa chuva toda.
O clima era de apreensão.
– Eu largo a bagagem. Preciso descer. Minha mulher tinha brigado comigo e me mandou embora. Mas mudou de idéia.
– Ela ligou pro senhor?
– Não. Ela está lá fora, debaixo de chuva, correndo atrás do ônibus na bicicleta dela.

Enquanto falava, o passageiro olhava com insistência para fora. O ônibus estava parado no semáforo da Piauí com a Barão do Rio Branco. Conversa daqui, conversa dali... Após consulta com o motorista, o auxiliar diz ao passageiro:

– Vamos parar num posto logo ali.

O passageiro vai lá atrás. Na volta, traz uma pequena mochila. O ônibus estaciona nas dependências do posto. O homem agradece rápido ao motorista e ao auxiliar. Veloz, corre direto para a mulher, que estacionara a bicicleta perto de uma bomba de gasolina. Quando se abraçaram, houve, dentro do ônibus, algumas palmas.